Em um mundo saturado de conteúdo previsível, frases feitas e campanhas com linguagem genérica, ganhar atenção virou tarefa de alta especialização. O marketing do absurdo (às vezes também chamado de “unhinged marketing”, “absurdism marketing” ou humor irreverente) emerge como uma alternativa radical: ele quebra expectativas, incita reações e, se bem executado, gera engajamento real, memorabilidade e diferenciação de marca.
O que é marketing do absurdo
O marketing do absurdo se caracteriza por:
- Narrativas bizarras, paradoxais ou ilógicas que chamam atenção pela estranheza.
- Humor exagerado ou provocativo, às vezes com risco reputacional calculado.
- Quebra de expectativas: usar o inesperado para criar choque leve, surpresa ou desconcerto que leva à reflexão ou à conversa.
- Alto potencial de viralização, sobretudo em canais digitais com público jovem ou que valoriza autenticidade.
Mas não se trata de absurdo aleatório, ele precisa estar alinhado à identidade da marca, ao público-alvo e ao propósito de comunicação.
Por que o marketing do absurdo está crescendo em 2025
Algumas razões estratégicas para que marcas estejam apostando nessa via:
- Saturação de estímulos e atenção fragmentada: O público recebe milhares de mensagens diariamente; o comum se torna invisível. O absurdo, justamente por destoar, consegue furar o “ruído”.
- Busca por autenticidade e voz própria: Consumidores, especialmente gerações mais jovens (Millennials, Gen Z), rejeitam marcas que soam como “tudo igual”. Eles preferem marcas que tenham personalidade, que assumam riscos e que sejam conversacionais.
- Viralidade e engajamento orgânico: Campanhas absurdas provocam reações, positivas ou controvérsias, que levam as pessoas a comentar, compartilhar, discutir. Esse tipo de buzz gera alcance orgânico.
- Diferenciação em mercados saturados: Em setores onde muitos seguem fórmulas similares, o absurdo permite destacar-se. Marcas que usam essa estratégia bem conduzem percepção de inovação.
Exemplos práticos de sucesso
- Liquid Death: marca de água enlatada que revisita uma estética heavy metal / punk, usando slogans provocativos como “Murder Your Thirst” (“Assassine sua sede”) e campanhas absurdas que desafiam normas.
- Burger King Brasil: ações com humor ácido, provocações diretas, colaborações controversas, tudo para gerar engajamento onde o previsível não funciona mais.
- Duolingo: seu perfil nas redes, especialmente TikTok, se vale de humor irreverente, absurdos visuais, memes, e interações inesperadas.
Riscos e cuidados que nenhuma marca deve ignorar
Para adotar o marketing do absurdo com responsabilidade é necessário “bailar sobre uma corda bamba”: os erros podem gerar rejeição, crise de imagem ou simplesmente fracasso. Alguns pontos-chave:
- Know Your Audience: entender o público, seus limites, valores, cultura. O que é irreverente para uns pode ser ofensivo para outros.
- Alinhamento com identidade da marca: se sua marca é séria, institucional ou regulada (saúde, finanças, jurídico) pode haver incompatibilidade forte. O absurdo pode trazer credibilidade.
- Contexto cultural e social: sátiras ofensivas, estereótipos ou provocações que passem dos limites éticos ou morais podem gerar repercussão.
- Planejamento estratégico: definir com clareza qual o objetivo do uso do absurdo: conhecimento? gerar buzz? aumentar engajamento? converter leads?

